Os direitos humanos são uma construção feita ao longo dos anos, através de vários
movimentos de resistência, de lutas contra desigualdades e reivindicações de
melhores condições de vida. Com o final da Segunda
Guerra Mundial foi criada a ONU, em 1945, garantindo que os Estados fizessem
esforços para garantir os direitos humanos. A
grande lição da Segunda Guerra Mundial é a de que era preciso garantir os
direitos humanos na esfera internacional, não apenas dentro do seu Estado. O
compromisso de garantir e promover os direitos humanos, entre seus nacionais e
os demais. Na Segunda Guerra Mundial, se chegou a uma negação tão gigantesca
desses direitos que foi preciso a universalidade. Dessa forma começou o
movimento pelos direitos humanos. A historicidade dos direitos humanos é a primeira característica, de três, pois em
cada contexto as demandas das populações são analisadas e colocadas em uma
lista de direitos, e vão sendo modificadas. O
marco no cenário internacional é a Declaração Universal dos Direitos Humanos,
em 1948, que inaugurou a ideia internacional de proteção dos direitos humanos.
Essa declaração não criou obrigações naquele momento, apenas permitiu a criação
de um consenso dos direitos que devem ser protegidos. Os Estados convencionaram
que isso é o mínimo para se defender. A Declaração
Universal dos Direitos Humanos estabelece que os direitos humanos são de toda a pessoa, sem
distinção de nada. O simples fato de ser uma pessoa humana a faz uma titular de
direitos. No momento da declaração isso foi revolucionário. A Declaração Universal
também inaugura a ideia de o ser humano ter direitos, não importa a que grupo pertença
ou nacional de onde seja. A universalidade é o que define que os direitos
humanos valem para todos, não existe um grupo que seja mais ou menos titular,
valem para todos, sem exceção e em qualquer circunstância. A
segunda e terceira características dos direitos humanos é a indivisibilidade e
a interdependência, ou seja, não se pode pensar um direito separado do outro,
não se pode fracionar e proteger apenas um direito. Também não se pode promover
buscando apenas um direito de forma isolada. Os direitos humanos estão sempre
em relação e promovendo um direito pode-se promover outro direito. Os direitos humanos, por serem
históricos, são uma construção do homem. O contexto em que se criou essa
construção é de lutas, conflitos, reivindicações. Foram conquistados e
construídos dessa forma, com muito esforço e através de pessoas que se viam em
desigualdade. Porém, a Declaração Universal dos Direitos Humanos não
era suficiente, pois não era uma declaração mandatória, não vinculava os Estados.
Era necessário estabelecer instrumentos mais fortes. A declaração era apenas o
ponto de partida. Em
1966, surgiram dois tratados importantes: o Pacto Internacional de Direitos
Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais, que estabelecem de forma obrigatória aos Estados que os assinou o
dever de proteger os direitos das pessoas sob sua jurisdição, sejam elas nacionais
ou estrangeiras. Esses
pactos ampliaram o rol de direitos e também fizeram com que existisse a obrigatoriedade
de cumprimento e órgãos que fariam a supervisão disso. Nos
anos seguintes, os grupos vulneráveis foram tendo proteção internacionalmente. Movimentos começaram a apontar que a universalidade não dava conta de atender as particularidades. O indivíduo é uma pessoa específica, e essas características
particulares os colocam em situação de vulnerabilidade e violação de direitos. A
proteção genérica não da conta de proteger todos os elementos essenciais a vida
digna. É importante o tratamento particular de um grupo particular de indivíduos.
Os Estados então reconheceram e aceitaram proteger esses direitos dessa forma,
olhando para os grupos específicos na hora da proteção. Os direitos humanos estão em
constante construção e existem em decorrência da sua violação e servem de
indicadores como aquilo que se deve ser.
“Grupos específicos de vulneráveis perceberam que a proteção
genérica do ser humano não era suficiente para lidar com as condições
específicas de violência que eles sofriam."
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