terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Análise do documentário O prisioneiro da grade de ferro e o sistema carcerário atual

O documentário O prisioneiro da grade de ferro mostra como funcionava o sistema carcerário na penitenciária conhecida como Carandiru. Logo no começo se nota que os detentos eram chamados de reeducandos, lembrando que a ideia principal de uma prisão é reeducar o preso. Privando sua liberdade como consequência para o ato que cometeu e ao mesmo tempo reeducar, para quando for solto não volte a cometer novos crimes. Recebiam também palestras logo que chegavam lá e um manual de como deveriam agir lá dentro, em uma tentativa de que aprendam a respeitar as autoridades e seguir regras, como deveriam fazer do lado de fora, em sociedade. O documentário também mostra como era estimulado o esporte e as atividades que envolvessem o que cada um fazia de melhor, por exemplo, desenhar. Também eram estimulados a trabalhar, em equipe, principalmente, cada um exercendo uma função, uma espécie de produção dentro do presídio. Essas formas de tratamento com os detentos ajudam no seu retorno para a sociedade, fazendo com que aprendem a respeitar regras, a terem responsabilidades, a serem curados de seus vícios. Todos devem voltar a viver em sociedade, após cumprirem sua pena, mas para que isso ocorra da melhor maneira, para que sejam reeducados, como é a ideia principal, é necessário que os tratamentos que os detentos recebam nas prisões seja humano também. A forma como eles são tratados dentro desses ambientes ajuda na sua ressocialização, de forma boa ou ruim, dependendo de como é o sistema. O trabalho nas cadeias é a principal forma de recuperar o criminoso, pois como a maioria é jovem, dessa forma são ensinados a como ganhar sua renda de forma honesta, para quando forem recolocados em sociedade. Atualmente o sistema carcerário no Brasil é completamente abandonado pelo Estado, pois as prisões são lotadas, em cada cela estão presas muito mais pessoas do que cabem. A higienização do ambiente e alimentações dos presos é precária, tornando fácil ficarem doentes. Isso também facilita o uso de drogas e o sedentarismo, levando eles a não pensarem, aprenderem e refletirem sobre assuntos que ajudariam no seu retorno à sociedade. O estado deplorável das cadeias faz com que a ideia de ressocialização perca seu sentido, pois os condenados não estão lá para serem tratados como se não fossem humanos e ficarem doentes, às vezes até morrerem por conta das condições do presídio. O objetivo é ter sua liberdade privada, como uma forma de pagar pela sua atitude errada e criminosa, uma punição, e que dentro de uma prisão aprenda a não cometer mais crimes, seja reeducado e consiga voltar a viver em sociedade. A ideia, quem sabe utópica, é de que tanto o Estado quanto a sociedade devam ver o preso como uma pessoa capaz de se recuperar, e os presídios contribuírem para isso. Porém, o Estado deixou de investir nesse sistema, pois são necessários valores altos em verbas para médicos, remédios para tratar da saúde de cada condenado, quando necessário e para investir na sua alimentação e limpeza do local. Seria também necessário aumentar os presídios, ampliá-los com a construção de mais celas, pois deixar na mesma cela criminosos de todos os tipos faz com que eles “troquem experiência”, e apenas piora. Porém, não é apenas o Estado que trata com descaso o preso, a sociedade também, a partir do momento em que aceita que eles sejam tratados assim, acham correto que o condenado seja preso e viva em más condições, acreditam que o real objetivo da pena privativa de liberdade e das prisões seja esse, pois pensam e são ensinados a pensar que assim a justiça está sendo feita, quando na verdade as condições as quais os presos são submetidos são um dos fatores para piorar a criminalidade no país. É ineficaz o Estado simplesmente colocar nas cadeias os indivíduos que violam as normas e reinseri-los na sociedade com o mesmo pensamento imoral.

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